terça-feira, 29 de outubro de 2013

O ÁLCOOL É O GRANDE VILÃO?

Outro dia, uma prima leu os posts do blog e me fez perguntas. Conversamos por e-mail e acho que as considerações dela devem ser as mesmas de muitas pessoas. Com sua permissão, publico um trecho dos comentários:

"Quando grávida, li o livro  O que esperar quando se está esperando e entendi que nos primeiros 10-15 dias de gravidez, o embrião teria uma proteção extra para que eventuais bebidas nestes primeiros dias (quando ainda não se sabe da gravidez) não pudessem fazer mal.

Pelo visto este livro está erradíssimo? Ele é um dos mais populares entre as mulheres que leem.

Não conheço pessoas cujos pais não tenham bebido. Eu mesma bebi um pouco, apesar de não ter vontade de beber grávida.


Também lembrei da quantidade de casos de dislexia e deficit de atenção cada vez mais presentes. Pessoas tomando vários remédios e fazendo terapias para sanar isso. É tudo por causa do álcool? Que coisa!" 

O consumo social ou patológico de álcool durante a gestação não implica uma relação de causa e efeito do tipo "se a mulher bebeu algo fatalmente sairá errado com o bebê". Não há uma fórmula precisa sobre o que acontece. O desenvolvimento da vida é um processo extremamente complexo e delicado, a ciência tem ainda muitas perguntas a responder. 

O que se sabe é que o álcool tem o mesmo potencial de interferência que a radiação, eles são como roletas russas na formação embrionária e a proteção extra mencionada no livro não é um escudo infalível, de nada adianta se o espermatozoide for o agente contaminador.

Algumas crenças levam tempo para mudar. A descoberta sobre os perigos do raio X durante a gravidez se deu na década de 1950, quando uma jovem pesquisadora começou a relacionar casos de câncer infantil com o procedimento. A comunidade médica não lhe deu atenção. Foram quase 20 anos até a proibição do raio x para gestantes virar lei. Isto porque era o raio x, algo que não está presente no nosso dia a dia, nas nossas festas, na nossa mesa. Não diria que é tudo por causa do álcool, mas ele é sim um grande vilão, que como tantos outros, anda por aí impunemente em nosso país.

Esta é uma causa que precisa de dedicação! Mas que fique claro que eu não sou contra o consumo de bebidas alcoólicas, eu mesma aprecio muito um bom vinho. Sou é contra o descaso geral e a irresponsabilidade dos fabricantes e do governo em omitir informações essenciais à saúde e ao bem estar das crianças. 

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

EM NÚMEROS


A exposição do feto ao álcool é a principal causa conhecida de dano mental no ocidente. Nos Estados Unidos e na Europa, a taxa estimada é de 0.2-2 para cada mil nascimentos com vida. Segundo a Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas, no Brasil, estima-se que a incidência de SAF seja de um em cada mil nascimentos e o uso de álcool durante a gravidez produz um risco de 30% a 50% de possibilidade de lesões fetais em relação às mães que não bebem durante a gestação.
Neste ponto é importante ressaltar a diferença entre SAF, que pelo conjunto de lesões caracteriza-se como síndrome, e os transtornos e distúrbios relacionados ao consumo de álcool durante a gestação. Estes casos, apesar de mais leves no conjunto, pois lesões graves não são observadas no aspecto físico da criança, são problemáticos porque as alterações cerebrais são discretas e muitas vezes se evidenciam apenas na idade escolar, quando uma certa imaturidade cerebral é verificada. Os distúrbios cognitivos e comportamentais que muitas crianças apresentam na escola, incluindo o Déficit de Atenção como ou sem Hiperatividade, estão relacionados a pequenas alterações resultantes da ação do álcool sobre o cérebro fetal. Estes casos representam 1 em cada 100 nascimentos com vida nos Estados Unidos. (Não encontrei este índice para o Brasil).

Ainda nos Estados Unidos, os gastos na área médica e social para os tratamentos ao longo da vida de cada criança com SAF chegam a 800 mil dólares. No Brasil não temos tanto investimento na área da saúde, da educação e no social, mas considerando-se que apenas uma cirurgia corretiva de cardiopatia relacionada à SAF custa quase R$ 150.000 (SUS pela Beneficência Portuguesa de São Paulo, 2012) podemos ter uma ideia dos gastos financeiros. Para o investimento e desgaste emocional de pais, professores e principalmente das crianças, adolescentes e adultos com SAF jamais teremos números. Não há como medir este sofrimento. Então, pergunto novamente: Por que no Brasil os riscos do consumo do álcool durante a gravidez não são divulgados nos rótulos das bebidas alcoólicas e nos locais que as servem? 

Se você também não tem uma resposta plausível, assine:   
http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/14351

Fontes:




 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

O que é a Síndrome Alcoólica Fetal - SAF

SAF é um termo geral, sob um outro termo mais abrangente: Distúrbios Relacionados ao Efeito Alcoólico Fetal, uma tradução livre que fiz do inglês, pois em português não encontrei o equivalente e é justamente por haver tão pouca informação disponível online em português sobre o assunto que resolvi criar este blog.

Como o nome da síndrome indica, ela é um conjunto de sintomas físicos e cognitivos variável em intensidade e combinação de danos, causado pela ingestão de bebida alcoólica em qualquer quantidade durante a gravidez, em especial durante os três primeiros meses, quando o sistema nervoso central do embrião está em formação. Os sintomas mais leves são a hiperatividade e o déficit de atenção, que costumam se evidenciar durante a alfabetização da criança, e nos casos mais graves, o recém-nascido tem o sistema nervoso e os órgão vitais tão comprometidos que vive apenas alguns minutos ou nem isto.

A SAF ocorre porque o álcool, mais do que drogas entorpecentes como a cocaína e a heroína, é um forte agente teratogênico, isto é, uma substância, organismo ou estado de deficiência da gestante que, estando presente durante a gestação, causa alteração na estrutura embrionária e/ou fetal. A radiação e a Talidomida, por exemplo, são agentes teratogênicos e temos o cuidado de alertar a mulher e o homem que desejam ter filhos sobre seus riscos e evitá-los a todo custo . Por que não fazemos o mesmo sobre o álcool?  

Não há uma resposta razoável para essa pergunta. Diante desta realidade, o mínimo que podemos exigir é que o Ministério da Saúde determine que os rótulos das bebidas alcoólicas, inclusive cervejas, e locais que as servem tenham um símbolo ou informação que alerte sobre os riscos.



segunda-feira, 2 de setembro de 2013

ABAIXO-ASSINADO Por isso estamos aqui

Acabo de criar um abaixo-assinado para exigir que o rótulo de todas as bebidas alcoólicas tragam informação sobre os riscos da ingestão de QUALQUER quantidade de álcool antes e durante a gravidez. Além de divulgar o abaixo-assinado que será enviado ao Congresso, este blog tem por objetivo informar sobre a Síndrome Alcoólica Fetal, que poderia, na maioria dos casos, ser evitada se os pais e, em especial as mães, estivessem informados. Por isso, para um país mais saudável assine no link abaixo e siga as informações postadas a partir de amanhã:

http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/14351

Eu e todas as crianças nascidas e por nascer no Brasil te agradecemos!