"Quando
grávida, li o livro O que esperar quando se está esperando e entendi que nos primeiros 10-15 dias de gravidez, o embrião teria uma proteção
extra para que eventuais bebidas nestes primeiros dias (quando ainda não se
sabe da gravidez) não pudessem fazer mal.
Pelo
visto este livro está erradíssimo? Ele é um dos mais populares entre as mulheres que
leem.
Não
conheço pessoas cujos pais não tenham bebido. Eu mesma bebi um pouco, apesar de não ter vontade de beber grávida.
Também
lembrei da quantidade de casos de dislexia e deficit de atenção cada vez mais
presentes. Pessoas tomando vários remédios e fazendo terapias para sanar isso.
É tudo por causa do álcool? Que coisa!"
O consumo social ou patológico de
álcool durante a gestação não implica uma relação de causa e efeito do tipo "se a mulher bebeu algo fatalmente sairá errado com o bebê". Não há uma fórmula precisa
sobre o que acontece. O desenvolvimento da vida é um processo extremamente
complexo e delicado, a ciência tem ainda muitas perguntas a responder.
O que se
sabe é que o álcool tem o mesmo potencial de interferência que a radiação, eles
são como roletas russas na formação embrionária e a proteção extra mencionada no livro não é um escudo infalível, de nada adianta se o espermatozoide for o agente contaminador.
Algumas crenças levam tempo para mudar. A descoberta sobre os perigos
do raio X durante a gravidez se deu na década de 1950, quando uma jovem
pesquisadora começou a relacionar casos de câncer infantil com o procedimento.
A comunidade médica não lhe deu atenção. Foram quase 20 anos até a proibição do
raio x para gestantes virar lei. Isto porque era o raio x, algo que não está
presente no nosso dia a dia, nas nossas festas, na nossa mesa. Não diria que é tudo por causa do
álcool, mas ele é sim um grande vilão, que como tantos outros, anda por aí impunemente em nosso país.
Esta é uma causa que precisa de dedicação! Mas que fique claro que eu não sou contra o consumo de bebidas alcoólicas, eu mesma aprecio muito um bom vinho. Sou é contra o descaso geral e a
irresponsabilidade dos fabricantes e do governo em omitir informações essenciais à saúde e ao bem
estar das crianças.